Latin America imports 8 times more industrial property than it exports

A América Latina pode ser líder em tecnologias de ponta? A resposta é clara: dificilmente. De fato, a região representa menos de 2% dos pedidos de patentes do mundo; destes, menos de um quinto é apresentado por latino-americanos. A América Latina importa cerca de oito vezes mais propriedade intelectual do que exporta — a segunda maior proporção do mundo. À medida que tecnologias de ponta como a inteligência artificial (IA) se multiplicam, há o risco de que a região, mais uma vez, fique para trás.

Essa situação é evidente no balanço de pagamentos da região, onde os pagamentos pelo uso de propriedade intelectual (como patentes, marcas registradas, direitos autorais e licenças) geralmente superam as receitas dessas exportações.

Razões para o déficit comercial em propriedade industrial:

  • Baixo investimento em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D): Em comparação com países desenvolvidos, o investimento em P&D na América Latina tende a ser menor, resultando em menos tecnologias novas e invenções protegidas e exportáveis.

  • Dependência tecnológica: Muitos países da região dependem de tecnologias e conhecimentos desenvolvidos em outras partes do mundo, o que exige o pagamento de licenças e royalties.

  • Estrutura produtiva: A estrutura produtiva de muitos países latino-americanos é focada na exportação de matérias-primas e produtos de baixo valor agregado, exigindo menos uso intensivo de propriedade industrial própria.

  • Baixo número de patentes de residentes: Grande parte das patentes depositadas na América Latina são de não residentes, o que mostra menor atividade inventiva local.

  • Desafios na comercialização e exportação da PI: Mesmo quando a PI é gerada na região, há desafios para sua inserção em mercados internacionais.

Implicações do déficit na balança comercial:

  • Saída de divisas: Pagamentos por licenças e royalties representam uma saída de divisas para os países da região.

  • Menor competitividade: A dependência de tecnologia estrangeira limita a capacidade das empresas locais de inovar e competir globalmente.

  • Menor desenvolvimento tecnológico endógeno: O déficit revela a baixa capacidade da região de gerar tecnologia própria.

Situação e tendências:

  • Variabilidade regional: A situação varia bastante entre os países. Brasil e México têm maior atividade em PI.

  • Maior conscientização: Cresce a consciência sobre a importância da PI para o desenvolvimento.

  • Aumento nos pedidos de patentes: Apesar de ainda baixos, os pedidos estão crescendo em alguns países.

  • Importância das marcas: O cenário é mais positivo em marcas, com mais pedidos por residentes, sendo essenciais para comercialização local e internacional.

Situação da Argentina: Apesar do superávit em Serviços Baseados no Conhecimento, os indicadores de patentes e desenhos industriais mostram mais importações do que exportações. Em marcas, a situação é mais equilibrada.

Conclusão: As importações de propriedade industrial continuam superando as exportações na América Latina. Isso reflete baixos investimentos em P&D, alta dependência tecnológica e estruturas produtivas pouco intensivas em PI própria. O futuro da região dependerá de sua capacidade de integrar tecnologias existentes e identificar nichos de crescimento estratégico.

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